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As fotos registram cachorros vira-latas, SRD-sem raça definida, "street dog, ou, como prefiro, tomba-latas. Todos eram "moradores de rua" e foram por nós adotados, passaram a integrar a família. A minha dúvida, ou quem sabe a minha certeza, serão três cachorros diferentes? O que irei relatar leva-me à acreditar que trata-se de um único cachorro que ocupou diferentes corpos que são os das fotografias: Bijú, Lake, e Lina. A evidência para essa hipótese é a capacidade que tinham em fazer "gracinha". Vejamos do que se trata. Em uma oportunidade falo para a Bijú: faça gracinha. Não lembro o motivo para fazer isso, não titubeou, deita-se, e com suas patas dianteiras esfrega o focinho. Até aí nada de mais, entretanto sempre que eu falava a cena acontecia. Depois de longos anos a Bijú partiu. Entra em cena o Lake depois de algum tempo. Logo após sua chegada, falo: Lake faça gracinha. De imediato deita-se e repete a cena oferecida pela Bijú. E assim foi, bastava falar e ele repetia. Até aí nada de mais, será? O Lake partiu. Algum tempo depois é a vez da Lina chegar. Desta vez, havia um forte motivo para repetir o procedimento, estaria diante de um caso de reencarnação? A Lina iria fazer a mesma coisa? Lina: faça gracinha. Deita-se e começa a esfregar o focinho. Repetia sempre que ouvia a palavra. Além da Biju, Lake e Lina adotamos diversos cachorros que conviveram ou não com o trio. Falei para todos: faça gracinha. E não fizeram, por mais que eu tenha insistido. Quem sabe você que está lendo essa matéria, que tenha cachorros possa tentar a experiência, diga: faça gracinha. Será que terá sucesso? Não acredito, entretanto, poderá observar outras características capazes de evidenciar reencarnações de cães que passam por sua vida. Atualmente há apenas uma cachorrinha em nosso convívio , está conviveu com a Lina e não faz gracinha, pelo menos não esta. Faz outras, ela mesmo é uma gracinha, chama-se Sissi, não é tomba-latas e sim uma Poodle. Para atender a curiosidade aí está a Sissi.
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BIJÚ Estávamos concluindo os preparativos de nossa mudança de São Paulo para Porto Alegre. Na volta da padaria, minha esposa foi acompanhada por um lindo filhote de cachorro. Nessa época havia gatos e outros animais em nossa casa, foi irresistível, aquela belezinha foi adotada, Bijú passou a ser seu nome. A mudança foi realizada por avião, caminhão e carro. A minha filha, esposa e mãe seguiram de avião, a mudança de caminhão e eu, meu pai e nossos acompanhantes de carro. O carro ficou parecido com a arca de Noé. Além da Bijú, seguiram os gatos e outros animais. A "arca" era um "fusquinha". A viagem durou cerca de 22 horas, sem os acompanhantes e com bom tempo seriam suficientes 13 ou 14 horas. Aconteceram várias paradas para atender necessidades de todos. A Bijú ficou no banco traseiro, com freqüência levantava-se, apoiava-se no banco dianteiro, o meu, e lambia minhas orelhas. Nunca recebi tantas homenagens caninas como nesse dia de viagem. Nossa permanência em Porto alegre foi de um ano, suficiente para conhecermos muitos lugares do Rio Grande do Sul e para que lembremos sempre de suas belezas e dos amigos lá conquistados. A volta se deu da mesma maneira, de avião, caminhão e de "fusquinha". Agora a "arca" vinha com mais um passageiro, Bambi filho da Bijú, conseguido numa escapa até a praça das proximidades. Um autêntico "street doog" ou "plaza doog". Para que não fiquem imaginando como era esse passageiro, aí está o gaúcho Bambi, já em São Paulo, latia sem sotaque.
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LAKE Certo dia, na garagem de minha casa, noto um cachorro querendo entrar. Tínhamos, nessa ocasião, dois cachorros, assim falei: não dá ... vá andando. Com o rabo entre as pernas, anda alguns metros na rua, vira-se, olha com aquele olhar de amolecer corações, então, digo entre, faço sinal com as mãos na direção da porta. Não esperou o segundo convite, esteve longos anos em nossa casa. A sua chegada ocasionou um conflito entre ele e o Jimmy, por causa da fêmea existente. Jimmy não era morador de rua e tinha raça definida, um Dálmata. Tiveram que ser mantidos separados. Num descuido, houve encontro na garagem, briga inevitável, com dificuldade apartei os dois. Na confusão o Lake morde meu braço, ficou muito chateado, no momento e depois, bastava mostrar o local da mordida para manifestar o seu desconforto. Ai está o Jimmy:
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LINA A Lina, uma legítima tomba-latas, apareceu na rua em que moram minha filha, meu genro e minhas netas. As netas, as crianças do prédio e da rua cuidaram da Lina, mas continuou uma "street dog". Davam água e comida, além do abrigo, nunca usado, afinal desconhecia essas mordomias. Conquistou a simpatia de todos, moradores do local ou visitantes como eu. Surge outro cachorro no pedaço, um perigo, morde algumas pessoas. A carrocinha foi chamada. Chega, não encontra o perigo, mas a Lina estava lá. É levada para o Centro de Zoonose em Santana. Toca o telefone, minha filha avisa-me do ocorrido, pede a minha intervenção, ela e as crianças ficaram desoladas, eu também. Encontro a Lina, resgato-a, a alegria voltou entre as crianças e os adultos. Deixou de ser uma "street dog", foi adotada e acolhida. Ficou longos anos entre nós, exceto por alguns meses. Fugiu, afinal tinha fortes vínculos com a rua. Foi encontrada em um "pet-shop" para alegria geral.
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