CACHORROS REENCARNAM?

 

 

          Essa página registra minha experiência - Leonardo Kurcis – com três cachorros que deram muitas alegrias para a família. São eles: Bijú, Lake e Lina. Os três faziam algo em comum que pode justificar a hipótese de serem um mesmo cachorro e não três diferentes. Bijú, Lake e Lina podem ser encarnações de um mesmo cachorro.
          Os cães reencarnam?
          A resposta à essa pergunta depende de algumas considerações. Para que exista reencarnação é necessária a continuidade de algo após o evento da morte. Decompõe-se o corpo, seus elementos são absorvidos pela terra, prossegue existindo um princípio espiritual que governava o envoltório físico: o espírito.
        Para aqueles que entendem que após a morte não há continuidade do ser, que se esvai com a decomposição do corpo, não há nada que possa levá-los a aceitar a reencarnação, dos humanos e muito menos de animais. Essa é a posição dos materialistas, não há nada além da matéria.
        Os espiritualistas, os que aceitam a realidade espiritual além da esfera física compreendem a dualidade corpo e espírito nos humanos, mas nem todos admitem que os cães possuam ou que sejam espíritos.
        Muitos espiritualistas não aceitam que os animais sejam portadores de algo que transcenda sua expressão física, seriam simples máquinas biológicas. Não é de se estranhar, há pouco tempo religiões ensinavam que negros, indígenas e mulheres não tinham, ou não eram espíritos.
      As mesmas religiões que negavam a espiritualidade dos negros e das mulheres ainda ensinam que os animais e os vegetais não possuem espírito, são apenas expressões físicas que se dissolvem com a morte.
      O pressuposto que considero para afirmar que os cachorros reencarnam é que todos os seres são espíritos que usam corpos humanos, animais ou vegetais. Constituem os seres da criação de Deus em diferentes estágios de sua escala evolutiva. A evolução, através dos citados reinos, se faz através da reencarnação. Nas sucessivas encarnações o espírito usa corpos físicos para depois não mais necessitar deles ao ter a sua perfeição manifestada. Perfeição, a sua essência, a sua herança divina, atribuída por Deus que o criou à Sua imagem e semelhança.
     Dessa forma, os espíritos que utilizam corpos de cachorros, como todos aqueles que se valem de envoltórios físicos animais, vegetais e humanos reencarnam. Esta é a Lei.
      Agora, se a Bijú, o Lake e a Lina são encarnações diferentes de um mesmo espírito eu posso considerar ser provável, gostaria de poder considerar como certeza.
       A seguir o relato de minha experiência.

 

 

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BIJU

LAKE

LINA

 

 

           As fotos registram cachorros vira-latas, SRD-sem raça definida, "street dog, ou, como prefiro, tomba-latas. Todos eram "moradores de rua" e foram por nós adotados, passaram a integrar a família.

          A minha dúvida, ou quem sabe a minha certeza, serão três cachorros diferentes? O que irei relatar leva-me à acreditar que trata-se de um único cachorro que ocupou diferentes corpos que são os das fotografias: Bijú, Lake, e Lina.

           A evidência para essa hipótese é a capacidade que tinham em fazer "gracinha". Vejamos do que se trata.

           Em uma oportunidade falo para a Bijú: faça gracinha. Não lembro o motivo para fazer isso,  não titubeou, deita-se, e com suas patas dianteiras  esfrega o focinho. Até aí nada de mais, entretanto sempre que eu falava a cena acontecia.  Depois de longos anos a Bijú partiu.

           Entra em cena o Lake depois de algum tempo.

          Logo após sua chegada, falo: Lake faça gracinha. De imediato deita-se e repete a cena oferecida pela Bijú. E assim foi, bastava falar e ele repetia. Até aí nada de mais, será? O Lake partiu.

           Algum tempo depois é a vez da Lina chegar.

           Desta vez, havia um forte motivo para repetir o procedimento, estaria diante de um caso de reencarnação? A Lina iria fazer a mesma coisa?

           Lina: faça gracinha. Deita-se e começa a esfregar o focinho. Repetia sempre que ouvia a palavra.

           Além da Biju, Lake e Lina adotamos diversos cachorros que conviveram ou não com o trio. Falei para todos: faça gracinha. E não fizeram, por mais que eu tenha insistido. Quem sabe você que está lendo essa matéria, que tenha cachorros possa tentar a experiência, diga: faça gracinha. Será que terá sucesso? Não acredito, entretanto,  poderá observar outras características capazes de evidenciar reencarnações de cães que passam  por sua vida.

           Atualmente há apenas uma cachorrinha em nosso convívio , está conviveu com a Lina e não faz gracinha, pelo menos não esta. Faz outras, ela mesmo é uma gracinha, chama-se Sissi, não é tomba-latas e sim uma Poodle. Para atender a curiosidade aí está a  Sissi.

 

         

 

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SISSI

 

 

 

BIJÚ

           Estávamos concluindo os preparativos de nossa mudança de São Paulo para Porto Alegre. Na volta da padaria, minha esposa foi acompanhada por um lindo filhote de cachorro. Nessa época havia  gatos e outros animais em nossa casa, foi irresistível, aquela belezinha foi adotada, Bijú passou a ser seu nome.

           A mudança foi realizada por avião, caminhão e carro. A minha filha, esposa e mãe seguiram de avião, a mudança de caminhão e eu, meu pai e nossos acompanhantes de carro. O carro ficou parecido com a arca de Noé. Além da Bijú, seguiram os gatos e outros animais. A "arca" era um "fusquinha". A viagem durou cerca de 22 horas, sem os acompanhantes e com bom tempo seriam suficientes 13 ou 14 horas. Aconteceram várias paradas para atender  necessidades de todos.

            A Bijú ficou  no banco traseiro, com  freqüência levantava-se, apoiava-se no banco dianteiro, o meu, e lambia minhas orelhas. Nunca recebi tantas homenagens caninas como nesse dia de viagem.

             Nossa permanência em Porto alegre foi de um ano, suficiente para conhecermos muitos lugares do Rio Grande do Sul e para que lembremos sempre de suas belezas e dos amigos lá conquistados.

              A volta se deu da mesma maneira, de avião, caminhão e de "fusquinha". Agora a "arca" vinha com mais um passageiro,  Bambi filho da Bijú, conseguido numa escapa até a praça das proximidades. Um autêntico "street doog" ou "plaza doog". Para que não fiquem imaginando como era esse passageiro, aí está o gaúcho Bambi, já em São Paulo, latia sem sotaque.

 

 

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BAMBI

 

 

  

LAKE     

      Certo dia, na garagem de minha casa, noto um cachorro querendo entrar. Tínhamos, nessa ocasião, dois cachorros, assim falei: não dá  ... vá andando. Com o rabo entre as pernas, anda alguns metros na rua, vira-se, olha com aquele olhar de amolecer corações, então, digo  entre, faço sinal com as mãos na direção da porta. Não esperou o segundo convite, esteve longos anos em nossa casa.

            A sua chegada ocasionou um conflito entre ele e o Jimmy, por causa da fêmea existente. Jimmy não era morador de rua e tinha raça definida, um Dálmata.

         Tiveram que ser mantidos separados. Num descuido, houve encontro na garagem, briga inevitável, com dificuldade apartei os dois. Na confusão o Lake morde meu braço,  ficou muito chateado, no momento e depois, bastava mostrar o local da mordida para manifestar o seu desconforto.

             Ai está o Jimmy:

 

 

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JIMMY

 

 

LINA

      A Lina, uma legítima tomba-latas, apareceu na rua em que moram  minha filha, meu genro e minhas netas. As netas, as crianças do prédio e da rua cuidaram da Lina, mas continuou  uma "street dog".  Davam água e comida, além do abrigo, nunca usado, afinal desconhecia essas mordomias. Conquistou a simpatia de todos, moradores do local  ou visitantes como eu.

          Surge outro cachorro no pedaço, um perigo, morde algumas pessoas. A carrocinha foi chamada. Chega, não encontra o perigo, mas  a Lina estava lá. É levada para o Centro de Zoonose em Santana.

          Toca o telefone,  minha filha avisa-me do ocorrido, pede a minha intervenção, ela e as crianças ficaram desoladas, eu também.  Encontro a Lina, resgato-a, a alegria voltou entre as crianças e os adultos. Deixou de ser uma "street dog", foi adotada e acolhida.

            Ficou longos anos entre nós, exceto por alguns meses. Fugiu, afinal tinha fortes vínculos com a rua. Foi encontrada em um "pet-shop" para alegria geral.