![]()
|
Nas escolas a aplicação da palmatória, vara de marmelo e ajoelhar-se em grãos de milhos foram tidos como recursos para a educação das crianças. Hoje os pais não aceitam esse procedimento, caso fossem aplicados em seus filhos logo procurariam a delegacia de polícia para fazer um boletim de ocorrência. Consideremos o cenário doméstico, local de maior permanência das crianças. Estatísticas demonstram que há violência física em cerca de 30% dos lares. Cerca de 60% dos adultos relatam terem sido espancados em sua infância. No lar as agressões não ficam limitadas à violência física, somam-se as de natureza verbal e vibratória. Consideradas as três modalidades de violência no lugar da desarmonia ocupar apenas 30% dos lares o mais correto é admitir isso em quase 100% dos lares. As agressões físicas e verbais podem ser reconhecidas com facilidade como modalidades de violência, o mesmo não ocorre em relação às vibrações. Vibrar é direcionar pensamentos impregnados de energias positivas ou negativas. A condição do mundo interior das pessoas determina a qualidade de suas vibrações. Quando estão em paz e tranquilas vibram positivamente. As vibrações negativas são produzidas por estados de desarmonia interior em razão de raiva, mágoas, ressentimentos e outros sentimentos negativos. As vibrações negativas são agressões energéticas. Muitos acreditam terem abandonado a violência quando aplicam castigos no lugar do espancamento. A agressão física como os castigos são modalidades de repressão. A repressão tem raízes na pedagogia do terror onde sobressaem os propósitos de instalar a culpa, o medo e a vergonha como recursos educativos. A repressão apenas consegue impedir ou obrigar ações, atitudes e comportamentos. A pedagogia do amor busca educar pela capacitação na realização daquilo que é desejado. A repressão é uma imposição de fora sobre as pessoas enquanto a educação desperta as virtudes e potencialidades interiores. A pedagogia do terror condiciona e congela as pessoas, a pedagogia do amor liberta do medo, culpa e vergonha. A pedagogia do terror estimula a posição de vítima, a pedagogia do amor desenvolve responsabilidade. A pedagogia do terror forma pessoas reativas, a pedagogia do amor estimula a proatividade. A TRANSIÇÃO DA REPRESSÃO E CASTIGO PARA A PEDAGOGIA DO AMOR
Entre muitas transições importantes que já aconteceram e que estão acontecendo ganha especial destaque a transição de duas visões sobre a educação. Ainda que haja dificuldade para perceber, está em curso a transição da Pedagogia da Repressão ou Pedagogia do Terror para a Pedagogia do Amor. A Pedagogia do Terror foi, e ainda é, largamente utilizada nas mais diferentes situações nos relacionamentos humanos, no lar, no trabalho e na sociedade de uma maneira geral. As próprias religiões que tanto pregam o amor têm dificuldade para abandonar o terror como forma de induzir comportamentos, atitudes e ações mais adequados. Para compreensão da existência da ênfase repressiva em nossa sociedade convém considerar os estágios evolutivos da humanidade. O mestre Pestalozzi, emérito educador, ensina que a humanidade transita por três estados que denomina: estado natural, estado social e estado moral.
Estado natural
No estado natural os humanos habitavam as cavernas, viviam em pequenos grupos ou mesmo de maneira solitária. Os desafios que enfrentavam diariamente era crucial, a dúvida era se encontrariam o que comer ou se seriam comidos por alguma fera. Nessa condição não havia como deixar de orientar suas ações por seu ego, por seus interesses pessoais e exclusivos. A consolidação do ego, além de aprofundar a percepção da individualidade, permitia direcionar as ações capazes de assegurar a sobrevivência.
Estado social
Aos poucos a Terra vai abrigando contingentes maiores. A organização social se impõe como imperativo para organizar melhor a vida na utilização dos espaços e dos recursos. A organização da vida em sociedade, com a reunião de indivíduos e de bandos orientados pela aguda percepção de sobrevivência, é a maneira para assegurar que o bem comum seja valor superior aos interesses exclusivamente individuais. Nos relacionamentos, a vida das pessoas é moldada segundo o interesse social. Surgem as regras para regular a vida social, proibições e obrigatoriedades formam um conjunto complementado com as punições a serem aplicadas aos transgressores. A repressão e o castigo são os recursos para construir a organização social, modifica a realidade exterior. No tocante à estrutura interior de cada um, a repressão e o castigo são capazes de modificar os indivíduos? Pestalozzi esclarece que não. A repressão e o castigo inibem ou tornam compulsórias as questões exteriores, no tocante ao íntimo não há mudança, os indivíduos continuam sendo os mesmos. A ausência da repressão e da aplicação do castigo permite que o indivíduo volte a se comportar da maneira que fazia no estado natural. Em momentos de desorganização social isso é observado. Quando não há compreensão sobre a imposição de castigos é mais provável que as condições interiores fiquem ainda piores em função do medo, revolta e outros sentimentos negativos gerados.
Estado moral
O estado moral se caracteriza pela transformação interior do indivíduo em função da compreensão e aceitação das leis que regem a vida, as leis divinas. Estas não são mais tomadas como instrumentos de punição, são recursos de proteção, amparo e de aprendizado. Entre as leis divinas se destaca a lei do amor reconhecida por todas as religiões e filosofias espiritualistas. No estado moral a humanidade encontra o caminho para alcançar a felicidade, o propósito da vida.
A PEDAGOGIA DE MOISÉS
Moises ao descer do Monte Sinai trazia em suas mãos as tábuas com os Dez Mandamentos. Oito deles com o emprego da palavra “não”, apenas dois afirmativos. Trata-se de recurso repressivo, adequado para aqueles tempos por não comportarem outra alternativa. As criaturas eram permanentemente ameaçadas com castigos, Deus deveria ser temido, a Sua ira poderia se manifestar de maneira terrível. A vingança, ainda que atenuada com a recomendação “olho por olho, dente por dente”, permaneceu aceita. Apenas a desproporcionalidade do revide foi recusada, antes quando um familiar ou amigo era prejudicado a retaliação era suficiente para destruir a família do inimigo. O amor ainda que recomendado de maneira restrita em favor da família representou importante mudança, antes os familiares incapazes de gerar o seu próprio sustento eram abandonados nas estradas condenados à morte certa. Haverá, na atualidade, condições para abandonar a repressão e o castigo?
A PEDAGOGIA DE JESUS
Séculos após Moises surge Jesus o Mestre dos mestres, para ensinar segundo a Pedagogia do Amor. Numa síntese extraordinária os dez mandamentos surgem como uma proposta afirmativa no lugar da repressão. Desaparecem os “nãos”, Jesus aponta a ação a ser empreendida: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. O amor ao próximo que Moises particularizava, em favor da família, com Jesus ganha abrangência total, devido inclusive em favor dos inimigos. A vingança, ainda que na modalidade “olho por olho e dente por dente” deve desaparecer nos relacionamentos humanos. Ao dizer que Deus é Pai, Jesus mostra que o sentimento que devemos ter é amor no lugar de medo. A expressão “temente” a Deus somente pode vigorar entre os que valorizam a repressão como recurso pedagógico. Jesus ensinou com gentileza, ternura e amor. Deixou todos à vontade, ofereceu seus ensinamentos sem constranger ou obrigar. A pedagogia oferecida por Jesus é ensinada por eméritos pedagogos como Comenius, Rousseau, Montessori, Pestalozzi. Mesmo antes da vinda de Jesus, Platão fazia o mesmo.
PARA IMPRIMIR
Copyright (C) 2007 Leonardo Kurcis Reservado |