
Olá sou Severn Suzuki, represento a organização das crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças, 12 a 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir.
Todo o dinheiro que precisávamos para vir de tão longe conseguimos por nós mesmos para dizer que vocês adultos têm de mudar o seu modo de agir.
Ao vir aqui hoje não preciso disfarçar meu objetivo. Estou lutando por meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores.
Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir.
Estou aqui para defender as crianças com fome cujos apelos não são ouvidos.
Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta porque já não têm mais para onde ir.
Não podemos mais permanecer ignorados.
Hoje tenho medo de tomar sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar esse ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar em Vancouver com meu pai até o dia em pescamos um peixe com câncer. Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídos a cada dia e, em vias de extinção. Durante toda a minha vida sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas, mas agora eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso.
Vocês se preocupam com essas coisas quando tinham a minha idade? Todas essas coisas acontecem bem diante de nossos olhos e, mesmo assim continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções.
Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como reparar os buracos da camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje é deserto.
Se vocês não podem recuperar nada disso então, por favor, parem de destruir!
Aqui, vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos, mas na verdade são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios e todos também são filhos.
Sou apenas uma criança mais sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas, e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar essa realidade.
Sou apenas uma criança mais sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo.
Apesar de minha raiva, não estou cega, apesar de meu medo não sinto medo de dizer ao mundo como me sinto.
Em meu pais geramos tanto desperdício, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora. Os paises do norte não compartilham com os que precisam, mesmo quando temos mais do que suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las.
No Canadá temos uma vida privilegiada com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.
Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas contou, “Eu gostaria de ser rica e se fosse daria a todas crianças de rua alimentos, roupas, remédio, moradia amor e carinho”.
Se uma criança de rua que não tem nada ainda deseja compartilhar, por que nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos?
Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália. Uma vítima da guerra no Oriente Médio ou mendiga na Índia.
Sou apenas uma criança, mais ainda assim sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria!
Na escola desde o jardim de infância vocês nos ensinaram a sermos bem comportados.
Vocês nos ensinaram a não brigar com os outros.
Resolver as coisas bem.
Respeitar os outros.
Arrumar nossas bagunças.
Não maltratar outras criaturas.
Dividir e não ser mesquinho.
Então por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer?
Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a esta conferência. E para quem vocês estão fazendo isso.
Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que espécie de mundo nós iremos crescer.
Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: “Tudo ficará bem, estamos fazendo o melhor que podemos”. Mas não acredito que possam dizer isso. Estamos sequer em suas listas de prioridades?
Meu pai sempre diz: “Você é aquilo que faz não aquilo que diz ”.
Bem, o que vocês fazem, nos fazem chorar a noite.
Vocês adultos nos dizem que vocês nos amam.
Eu desafio vocês. Por favor, façam suas ações refletirem suas palavras.
Obrigada.