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Em 25 de fevereiro de 2008 apresentei programa na Rádio Boa Nova de Guarulhos - 1450 AM - motivado por importantes artigos da Revista Veja publicados nos dias 13 e 20 de fevereiro de 2008. Na revista de 13 de fevereiro podem ser examinados a entrevista das “páginas amarelas” com a Secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, o artigo de Cláudio de Moura Casto “Salário do professor” e o artigo de Gustavo Ioschpe “Pelo direito à ruindade”. Na revista de 20 de fevereiro podem ser examinadas as matérias “A melhor escola do mundo”, da Finlândia, e “A um clique da Yale”, as melhores universidades do mundo oferecem cursos na internet sem cobrar nada.
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Em 16 de maio de 2005 apresentei programa cujo tema foi “Salvemos nossa escolas”. Abordei reportagem da Revista Veja de 11 de maio de 2005 que examina o livro “Quem me educa – A família e a escola diante da (in)disciplina” de Dante Donatelli.
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Eis aqui este sambinha feito numa nota só Outras notas vão entrar mas a base é uma só
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque, ou como é mais conhecido Senador Cristovam Buarque foi candidato a Presidente do Brasil na última eleição. O seu programa de governo tinha um único propósito: Educação. Muitos ironizaram afirmando que o Senador era um candidato de “uma nota só”. O “sambinha” de Tom Jobim esclarece logo no início que “outras notas vão entrar, mas a base é uma só”. A grande “Sinfonia Brasil” pode ter como fundamento uma nota só, a Educação, mas todas as demais notas – saúde, segurança, economia, desenvolvimento social e outras – vão entrar da mesma forma como sugere o samba. O meu voto, no primeiro turno das eleições, foi para o Senador. Pensando melhor, o meu voto não foi para o Senador. O meu voto foi para a sua proposta, que há de ser vitoriosa. Sempre que houver oportunidade darei minha contribuição para a vitória do “Brasil de uma nota só”, o Brasil da Educação. No último carnaval, a Escola de Samba Vai-Vai foi vencedora do desfile das escolas de São Paulo. Desfilou no sambódromo com enredo que teve como tema “Acorda Brasil: A Saída é Ter Esperança”, foi baseado em uma peça de teatro de Antonio Ermírio de Morais, que aborda a Educação no Brasil. Será que agora a Educação vai-vai. Será que quando a educação desfila pela passarela do samba é porque começa a ganhar condição de prioridade nacional? Para que a Educação seja prioridade nacional é necessário o reconhecimento de sua importância pelos governos federal, estaduais e municipais. As empresas e demais organizações, que possam oferecer recursos e participação competente, devem ter a Educação como compromisso e responsabilidade. Os meios de comunicação precisam abordar a importância da Educação até que seja alcançada à condição de objetivo prioritário e de valor estratégico para o desenvolvimento do país. Mais importante, ainda, é a família reconhecer a importância, deve perceber a Educação como o maior investimento para o progresso de seus filhos. Apresento meu testemunho para evidenciar o que acontece quando os pais consideram a Educação como prioridade. Até 10 anos de idade vivi na zona rural onde freqüentei a escola primária até o terceiro ano. Fui aluno de uma escola mista rural. Mista no caso quer dizer uma escola que reunia em uma única sala todos os alunos de três séries. Oferecia ensino até o terceiro ano, daí para frente somente haveria possibilidade de continuar os estudos em escolas urbanas. O que fizeram meus pais? Promoveram a mudança da família para a capital para permitir a continuidade de meus estudos. Por essa atitude serei sempre grato, eles tiveram consciência da importância da Educação colocada como prioridade da família.
O reconhecimento da prioridade requer também que haja entendimento de quais são as questões que merecem a concentração de esforços. Nota-se muita divergência no diagnóstico e nas propostas de ações. Não há busca de entendimento entre as partes envolvidas, dedicam-se mais à confrontação e às acusações. A seguir apresento considerações sobre importantes aspectos, segundo diferentes visões que desafiam governos, educadores, pais e todos que tenham interesse em contribuir para que a Educação seja prioridade e realidade em nosso país.
PISA – UMA ABRANGENTE AVALIAÇÃO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO
Pisa é a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006, foi aplicado em 400.000 alunos de 57 paises.
Ciência – Finlândia 1° lugar Brasil 52º lugar Matemática – Finlândia 1º lugar Brasil 53° lugar Leitura – Finlândia 2º lugar Brasil 48º lugar
O Brasil disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia. A péssima qualidade do ensino brasileiro é evidente e isso é reconhecido por todos.
Os cindo segredos da educação finlandesa – A Finlândia consegue ter os alunos mais bem preparados do mundo com medidas simples e ênfase na formação dos professores.
1. A exigência com os professores é alta e a carreira, concorrida. O vestibular para ser professor é um dos mais disputados do país. Apenas 10% dos candidatos são aprovados. Exceto na pré-escola, o mestrado é pré-requisito para lecionar. 2. A mesma qualidade para todos. A discrepância no desempenho entre as escolas do país é a menor do mundo. O governo mantém um sistema sigiloso de avaliação das escolas (99% são públicas) e os diretores são informados sobre o desempenho delas. 3. Os piores alunos não são deixados para trás. Dois em cada dez estudantes recebem aulas de reforço. Por causa disso, os índices de repetência são baixíssimos. 4. Currículo variado. Além das matérias básicas, há aulas de ecologia, ética, música, artes e economia doméstica. O ensino de duas línguas estrangeiras é obrigatório, mas, se o aluno quiser, pode aprender outras duas. 5. Os alunos devem ter prazer em ficar na escola. Os diretores e professores são responsáveis por criar um ambiente agradável para os estudantes. A carga horária não é excessiva e, a partir de 7ª série, os alunos são livres para escolher algumas disciplinas com as quais têm mais afinidade.
5 MILHÕES DE ALUNOS NA REDE DE ENSINO PAULISTA
A Secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, comanda uma rede de 5.500 escolas, 250.000 professores e 5 milhões de alunos. Nenhuma outra rede do país chega perto desses números, possivelmente não há nada parecido no mundo. No meu entender, isso é motivo de preocupação. Organismos gigantescos movem-se, quando se movem, com grande dificuldade. Melhor seria atribuir a administração da rede aos municípios enquanto a administração estadual cuidaria da formação e qualificação dos professores, desenvolvimento de material e de métodos didáticos. Certamente, a descentralização seria acompanhada por maior destinação de recursos financeiros para os municípios. Dessa maneira haveria menores redes de ensino, além de permitir a consideração das características de cada município relacionadas aos alunos, professores e à comunidade.
SALÁRIO DO PROFESSOR
Secretária Maria Helena Informa a Secretária Maria Helena, pela primeira vez no Brasil será implantado um sistema segundo o qual as escolas passarão a ter metas acadêmicas e receberão mais verbas caso consigam cumpri-las. O bônus será distribuído entre os funcionários. Anunciado o novo sistema a secretária recebeu dezenas de e-mails de professores, alguns deles furiosos. Estão na contramão diz Maria Helena. “Eles querem aumento de salário, sim, mas dissociado do desempenho”. Na comparação com outros profissionais no Brasil e também com professores de escolas particulares, um conjunto de pesquisas já demonstrou que os salários dos docentes na rede pública chegam a ser até mais altos. Este é um fato, ancorado em números. Apesar disso, acho sim que faz parte das atribuições do estado criar estímulos financeiros à carreira de modo a valorizá-la e conseguir atrair mais gente boa para as escolas públicas. O que não pode ser é defender aumento de salário indiscriminado para professor ruim, desinteressado ou que mal aparece na escola. Quem merece mais dinheiro no fim do mês são os bons professores e aquelas escolas públicas capazes de oferecer um raro ensino de qualidade, apesar das evidentes dificuldades.
Cláudio de Moura Castro Segundo afirmativa corrente, os professores da educação básica ganham pouco, por isso a educação é ruim. Como tenho a infeliz sina de acreditar na ciência, para mim isso é assunto de contar e medir. Ganhar pouco ou muito é uma questão relativa. Portanto, só tem sentido a comparação com categorias equivalentes. Com Gustavo Ioschpe,fiz uma revisão de duas pesquisas meticulosas, cotejando o salário dos professores com o de outros grupos profissionais na América Latina. Os resultados colidem com os mitos. Em confronto com pessoas de educação equivalente, os professores não ganham menos. Outro estudo interessante nos é dado por uma pesquisa recente de Samuel Pessoa, na qual o autor confronta os salários do sistema privado com os do sistema público. Em contraste com as conversas de botequim, em média os salários do setor privado são ligeiramente inferiores, apesar da ampla superioridade no desempenho dos seus alunos. Mais um abalo nos castelos da imaginação.
Comparação com a Finlândia Na reportagem da Revista Veja – “A melhor escola do mundo” é feita comparação dos salários dos professores brasileiros e finlandeses. Os salários dos finlandeses são 12% mais altos do que a renda média per capita do país. Os salários dos brasileiros são 56% mais altos do que a renda média per capita do país. Quanto a qualificação dos professores a reportagem aponta que 100% dos professores finlandeses possuem mestrado, no Brasil não passa de 2%. Por esses números a conclusão é que os professores brasileiros ganham mais apesar de serem menos qualificados.
TAMANHO DAS CLASSES
Secretária Maria Helena Os educadores afirmam por aí ser impossível oferecer uma boa aula diante de classes cheias, mas os estudos sobre o assunto indicam que tirando as séries iniciais, esse é um fato de pouca relevância. Escolas de diferentes países decidiram inclusive aumentar o número de alunos em sala de aula para resolver outra questão – esta, sim de grande efeito positivo. Eles estão esticando as horas de permanência dos estudantes nas escolas e, para arcar com os custos da medida precisam fazer caber mais gente numa mesma sala.
Comparação com a Finlândia Na Finlândia a média de alunos por professor é de 16 alunos e no Brasil 23. O índice mostra que as salas de aula na Finlândia são menos cheias que as brasileiras, mas não estão entre as menores do mundo. Para os finlandeses, mais importante do que ter salas pequenas é contar com bons professores. A carga horária anual é de 995 horas na Finlândia e 800 horas no Brasil.
NÍVEL DOS PROFESSORES
Secretária Maria Helena Perguntada pela Revista Veja sobre qual seria o melhor caminho para elevar o nível dos professores a secretária responde de maneira surpreendente. Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de pedagogia do país, até mesmo as mais conceituadas, como a Usp e a da Unicamp, e recomeçaria tudo do zero. Isso porque se consagrou no Brasil um tipo de curso de pedagogia voltado para assuntos exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as escolas públicas, e suas reais demandas....As faculdades de educação estão muito preocupadas com um discurso ideológico sobre as múltiplas funções transformadoras do ensino. Elas deixam em segundo plano evidências científicas sobre as práticas pedagógicas que de fato funcionam no Brasil e no mundo. Com isso, também prestam o desserviço de divulgar e perpetuar antigos mitos. Ao retirar o foco das questões centrais, esses mitos só atrapalham. Os mitos que a secretária se refere dizem respeito aos salários dos professores, ao tamanho das classes e aos livros didáticos. Quanto aos livros a secretária argumenta que os estudantes de faculdades de pedagogia aprendem a encarar os livros como uma espécie de camisa-de-força, e não como uma base a partir da qual podem ampliar os horizontes em sala de aula.
OS DIRETORES DAS ESCOLAS Secretária Maria Helena Quando perguntada sobre como algumas escolas públicas conseguem sobressair diante das demais, apesar do mesmo orçamento apertado, respondeu. Há um fator comum a todas as escolas nota 10, e ele merece a atenção das demais: trata-se da presença de um diretor competente, com atribuições de liderança semelhantes aos de qualquer chefe numa grande empresa. Sob sua batuta, os professores trabalham estimulados, os alunos desfrutam um clima positivo para o aprendizado e os pais são atraídos para o ambiente escolar. Se tais diretores fossem a maioria, o ensino público não estaria tão mal das pernas.
Cláudio de Moura Castro Pesquisa recente indicou que 80% dos professores da rede pública estavam insatisfeitos e com sua auto-estima chamuscada. Já em pesquisa com escolas privadas – não apenas as de elite – atraem melhores professores e os mantêm contentes. Não há dados confiáveis, mas parece que os professores estão também contentes nas públicas bem lideradas. Como a escola tem a cara do diretor, a sua escolha irresponsável arruína o ensino. Onde isso ocorre, os professores se sentem desvalorizados e manipulados pela burocracia. Os mais graves pepinos estão no clientelismo do governo local. A politicagem passa a frente das preocupações com a qualidade.
CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO SUPERIOR
No artigo de Gustavo Ioschpe vamos encontrar informações sobre o ensino superior no Brasil. Segundo últimos dados da UNESCO podemos avaliar o número de estudantes matriculados nos cursos superiores. A Coréia e a Finlândia já passaram dos 90%; a Suécia, Dinamarca, Estados Unidos e a Nova Zelândia já superaram os 80%. Esse é um fenômeno recente, ocorrido nos últimos 25 anos. Os países que buscavam o desenvolvimento rápido entenderam que a qualificação de suas populações era um caminho obrigatório e trataram de criar mecanismos que permitissem a massificação do conhecimento em seu nível mais alto. Entre 1980 e 1997 muitos países tiveram aumentos significativos na quantidade de matrículas. A Coréia aumentou 353%, a Turquia 320%, Portugal 255%. O resultado é que vários países, inclusive aqueles que partiram de um patamar muito baixo chegaram aos dias de hoje em condições de sonhar. O Chile tem 48% dos alunos matriculados nos cursos superiores, o Líbano 46%, o Panamá 44%, o Uruguai 42%, a Venezuela 41%. O Brasil é uma exceção negativa. No período 1980-1997 o aumento de matrículas foi de apenas 36%. Estão matriculados nos cursos superiores 24% dos alunos. A estagnação ocorre por três razões. A primeira é a péssima qualidade da educação básica, que gera um número pequeno de concluintes aptos a entrar no ensino superior. A segunda é o estrangulamento do modelo financeiro: as universidades públicas brasileiras estão entre as mais caras do mundo e sua replicação em escala é inviável, e falta renda na população para custear mais ensino privado. A terceira é que faltam opções de cursos superiores mais adaptadas às demandas desse novo contingente de estudantes, que querem programas mais curtos e direcionados às necessidades do mercado de trabalho, sem ter interesse em uma formação acadêmica, humanista. Nos países desenvolvidos, entre 15% e 30% da matrícula costuma ser nesses cursos mais curtos e profissionalizantes, contra 4% no Brasil.
AS MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO OFERECEM CURSOS NA INTERNET SEM COBRAR NADA
São encontrados na internet cursos de nível superior dados por 5.000 professores de 200 das melhores universidades do mundo. O número chama atenção: três anos atrás, não havia nenhum. Nessa nova modalidade de educação a distância ninguém ganha diploma no final, mas qualquer um passa a ter livre acesso ao supra-sumo da produção acadêmica, daí sua relevância. O professor Walter Lewin é reconhecido no mundo acadêmico como um dos mais influentes físicos nucleares da atualidade. Ele é professor de um dos cursos mais procurados pelos estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. É o campeão em visitas virtuais, 1 milhão só no ano passado. O professor diz: “Como físico, nunca fui tão popular”. As universidades costumam colocar na rede os cursos básicos de cada área. O objetivo é atrair mais gente. Para elas,oferecer aulas gratuitas na internet é também uma maneira de divulgar seus nomes, dentro e fora dos respectivos países. Funciona. No MIT, por exemplo, 20% dos novos estudantes dizem ter optado pela universidade depois de assistir a algumas aulas virtuais gratuitas e tê-las aprovado. Cada universidade tem um site próprio, por meio do qual é possível assistir a milhares de aulas das mais diferentes áreas do conhecimento. Esperamos que as universidades brasileiras públicas e privadas sigam o mesmo caminho. Eis os endereços de cinco dos mais acessados.
Universidade Yale
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
Universidade da Califórnia, em Berkeley
Universidade Stanford
Instituto de Tecnologia de Paris http://graduateschool.paristech.org
SINDICATO DOS PROFESSORES DO ENSINO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO Artigos do "Jornal APEOESP" Nº 273 JANEIRO 2008
EDITORIAL O ano de 2007 deixou patente a todos nós que o governo de São Paulo continua despreocupado com a nossa escola pública. A não instituição de um Plano Estadual de Educação, assegurando uma política de Estado para a educação; o corte de recursos; a ampliação do processo de municipalização do ensino; a desvalorização dos profissionais, entre outras ações, confirmam a intenção do governo estadual em abdicar da educação pública. Os resultados negativos alcançados pelos alunos de São Paulo nas avaliações externas e as péssimas colocações nas análises comparativas com outros estados brasileiros são resultados desta opção política. Há anos, a APEOESP denuncia este quadro e propõe debates democráticos sobre alternativas para a melhoria do ensino público. O governo ignora nossas propostas: impõe ações fragmentadas elaboradas em gabinetes e desconectadas das realidades regionalizadas existentes em nossa rede de ensino. Este autoritarismo e centralismo são marcas e opções políticas do PSDB, que há 14 anos administra nosso Estado, colocando nossa escola pública no ínfimo patamar em que se encontra. Para acentuar quadro tão grave, a administração, com apoio da mídia e de setores da sociedade civil, tenta nos marginalizar e jogar sobre nós a responsabilidade por um quadro resultante das políticas governamentais. Não podemos aceitar tal afronta! A superlotação das salas de aula, a aprovação automática, os baixos salários, as péssimas condições de trabalho, a falta de infra-estrutura das unidades escolares são conseqüências das políticas governamentais e não do trabalho dos profissionais que se esforçam para tentar garantir um processo de ensino-aprendizagem com qualidade. Cabe frisar que esta tarefa tem se tornado extremamente difícil diante da falta de políticas de valorização aos profissionais. Estamos permanentemente em mobilização por uma escola pública de qualidade, dada a deteriorização do ensino oficial no Estado de São Paulo. Apesar das perseguições imputadas ao nosso movimento por setores que não conseguem conviver com a liberdade de manifestação e mobilização dos trabalhadores, garantidas pela Constituição Federal, vamos reforçar nossa organização e continuar lutando pela nossa escola pública, com valorização aos profissionais e respeito à população.
CAOS NA ESCOLA PÚBLICA: RESPONSABILIDADE DO GOVERNO ESTADUAL
Apesar de ostentar o posto de Estado mais rico do País, São Paulo tem sido sistematicamente reprovado quando o assunto é a qualidade da educação estadual. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação por Aluno (Pisa) atestam, mais uma vez, essa triste realidade. O Pisa de 2006 avaliou alunos de 15 anos de 57 países e tem como objetivo produzir indicadores dos sistemas educacionais. No Brasil, o exame foi aplicado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC. Nas categorias Leitura e Matemática, São Paulo está em 11º entre os estados brasileiros. Em Ciências, o desempenho de São Paulo é ainda pior: está em 12º lugar. Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na Convenção do PSDB, afirmava a preocupação e o zelo dos tucanos com educação, o Estado que há mais tempo é governado pelo partido coleciona notas baixas em diversas avaliações e vive uma das mais graves crises de sua história no setor. As causas da crise da educação paulista são inúmeras e todas vêm sendo denunciadas há muito tempo pela APEOESP. São Paulo, como estado mais rico da Federação, investe muito pouco na educação pública. Além disso, a ausência de um Plano Estadual de Educação garante a adoção de políticas fragmentadas, o que prejudica profundamente o processo de ensino-aprendizagem. A falta de uma política de valorização dos profissionais também é uma marca desta administração. Os professores em início de carreira recebem salário 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com formação superior e piso inicial de São Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o professor acreano recebe R$ 13,16. Levado em conta o alto custo de vida em São Paulo, a diferença aumenta para 60%. Além disso, este governo não cumpre a data-base dos servidores, garantida por lei. Outros problemas, como as jornadas estafantes e as péssimas condições de trabalhos prejudicam e ameaçam a saúde dos professores. Estudo elaborado pela APEOESP, em conjunto com o Dieese, apontou que 61% dos professores dizem sofrer de nervosismo; 57% têm falhas na voz e 44% apresentam angústia. Após um ano de governo Serra, não houve qualquer proposta ou ação que apontasse, concretamente, para a solução desse cenário. As onze metas, divulgadas como um suposto plano de ação, aliadas as crescentes tentativas de responsabilizar o professor pela atual crise, fazem parte de um projeto cujo único objetivo é maquiar o atual quadro da escola pública. As soluções são conhecidas de todos. Além de bons salários aos professores, as escolas precisam ter infra-estrutura adequada, condições de trabalho para os docentes e de aprendizagem para os alunos,pressupondo número adequado de alunos por sala e programas de formação continuada e de atualização para os professores. Por isso lutamos por um sistema único da educação que preveja gestão democrática das escolas e participação na elaboração dos currículos escolares de acordo com a realidade de cada região e de cada comunidade. É preciso, enfim, que o Estado estimule os professores e se responsabilize de fato por uma educação de qualidade. Plano Nacional de Educação Além da necessária manutenção da luta contra a política educacional do governo de São Paulo, os professores também continuarão a luta em defesa de uma escola pública de qualidade em âmbito nacional. Neste sentido, é importante se ter um Plano Nacional de Educação (PNE) que incorpore avanços da sociedade. Hoje aplica-se 3,5% do PIB em Educação, enquanto o atual PNE prevê gastos de 7%. Temos que lutar por 10% do PIB. É imperativo ainda construirmos um Plano Estadual de Educação que preveja políticas de Estado para a área, e não políticas de governo, que se alteram conforme sopra o vento. É imperativo que a APEOESP continue participando dos fóruns de debates, como a Conferência Estadual de Educação, apontando todas as propostas elaboradas pelos professores em defesa de uma escola pública de qualidade, acessível a todos.
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