
PREFÁCIO
Carol Bowman
Autora de "Crianças e suas vidas passadas" e "Return from Heaven"
A HISTÓRIA DE JAMES Leininger é o melhor caso americano da lembrança de uma vida passada em uma criança entre os milhares que encontrei. Ela é extraordinária porque o pequeno James se lembra desde nomes e lugares de sua vida passada até pessoas e eventos verdadeiros - fatos que podem ser facilmente confirmados. Ele, inclusive, esteve com pessoas que o conheceram em sua vida pregressa, quando foi piloto na Segunda Guerra Mundial.
Creio que esta é a história que finalmente abrirá a mente dos ocidentais céticos para a realidade das lembranças de vidas passadas das crianças. Este livro demonstra como essas lembranças podem trazer profundos benefícios emocionais e espirituais, tanto para a criança quanto para sua família.
De algumas maneiras, a história de James não é incomum.
Muitas crianças no mundo inteiro têm lembranças de vidas passadas. É um fenômeno natural. Sei disso porque comecei a coletar e pesquisar esses casos há mais de vinte anos, depois que meus dois filhos tiveram suas próprias vívidas lembranças de vidas passadas. Meu filho lembrou-se de ter morrido em um campo de batalha durante a Guerra Civil; minha filha lembrou-se de ter morrido quando criança em um incêndio residencial.
Fiquei impressionada quando observei que, apenas por conversar a respeito de suas recordações, ambos ficaram curados de fobias provenientes de suas mortes na vida passada.
Cheguei à conclusão de que o mesmo certamente deveria ter acontecido com outras famílias. Entretanto, quando pesquisei livros para compreender o que estava acontecendo com meus filhos, não consegui encontrar nenhum que abordasse os efeitos curativos das lembranças de vidas passadas das crianças, somente livros a respeito de adultos que eram ajudados por meio da terapia de regressão a vidas passadas. Decidi, então, preencher a lacuna e escrevi Crianças e suas vidas passadas, como um guia de leitura para os pais que encontram essas lembranças em seus filhos.
Depois da publicação do livro em 1997 e do lançamento de meu site, www.reincarnationforum.com. recebi milhares de e-mails de pais cujos filhos haviam tido ou estavam tendo lembranças espontâneas de vidas passadas. Devido à quantidade de casos, comecei a perceber padrões repetitivos no fenômeno. Algumas crianças começam a falar sobre essas lembranças assim que são capazes disso - algumas quando ainda usam fraldas! Elas surpreendem os pais com comentários do tipo "quando eu era grande antes" ou "quando eu morri antes". Ou, então, exibem comportamentos fora do comum: fobias, pesadelos, talentos que não foram aprendidos e habilidades desconcertantes, ou um estranho discernimento com relação a assuntos dos adultos que elas não poderiam, de modo algum, conhecer em seus dois ou três anos de vida. Algumas lembranças manifestam-se como fortes emoções, como uma profunda tristeza quando elas relatam mortes solitárias em campos de batalha, memórias afetuosas de um cavalo particular ou saudades da outra família, da esposa, do marido, de seus próprios filhos.
Os casos que me chegaram às mãos eram repletos de eventos dramáticos, de assombro e emoções incontroláveis.
No entanto, uma coisa estava faltando: fatos que pudessem ser confirmados, que oferecessem uma prova objetiva de que as recordações eram genuínas. Nem meus filhos nem qualquer das outras crianças cujas lembranças eu investiguei conseguiram se lembrar de seus antigos nomes, de onde tinham vivido ou de quaisquer outros fatos reais que pudessem ser confirmados. É por esse motivo que esta convincente história de James Leininger é tão incomum.
Entretanto, ela não é única. Existe um grande acervo de casos desse tipo confirmados em crianças em culturas não ocidentais. O Dr. Ian Stevenson, ex-diretor do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da University of Virginia, pesquisou durante quarenta anos lembranças espontâneas de vidas passadas de crianças, começando no início da década de 1960. Em 2007, quando morreu, ele havia rigorosamente investigado e meticulosamente documentado quase 3 mil casos, a maioria na Ásia. Cerca de 700 dessas crianças, geralmente com menos de 5 anos, tinham recordações tão claras de vidas anteriores que se lembravam de seu antigo nome, do lugar onde tinham vivido, do nome de parentes e de detalhes muito específicos, porém triviais, de vidas anteriores, detalhes esses que o Dr. Stevenson demonstra que elas não poderiam conhecer. Para cada criança, o Dr. Stevenson correlacionou declarações, comportamentos, peculiaridades da personalidade e até mesmo atributos físicos (ele redigiu um trabalho sobre marcas e defeitos de nascença relacionados com vidas passadas) com os fatos da pessoa que a criança se lembrava de ter sido. As semelhanças vão bem além do mero acaso ou coincidência.
No entanto, a maioria dos casos por ele descritos provém de culturas nas quais a reencarnação é uma crença dominante: Índia, Birmânia, Tailândia, Sri Lanka, Turquia, Líbano e África Ocidental, o que torna mais fácil para os céticos rejeitar as constatações do Dr. Stevenson, porque essas culturas já acreditam em reencarnação. Eu sabia que seria necessário um caso extremamente detalhado e verificável de uma família judaico-cristã para abrir a mente dos ocidentais para essa realidade. Entretanto, nem o Dr. Stevenson, nem seus colegas estrangeiros, nem eu tínhamos encontrado casos americanos ou europeus com a mesma riqueza de detalhes dos casos asiáticos. Isso era enigmático e bastante frustrante.
Foi então que, em 2001, recebi um e-mail de Andrea Leininger. À primeira vista, ele era semelhante a muitos outros. Seu filho, James, estava tendo graves e repetitivos pesadelos a respeito da queda de seu avião. O menino, que tinha apenas 2 anos, também era obcecado por aviões e parecia ter um misterioso conhecimento a respeito de aviões da Segunda Guerra Mundial. Ao ler o e-mail de Andrea, notei fatos que se encaixavam em um padrão que eu vira com freqüência: pesadelos de eventos que uma criança não poderia ter vivido em seus dois ou três breves anos de vida, bem como um interesse ou obsessão relacionado ao conteúdo do pesadelo.
Trocamos e-mails, e fiquei impressionada com as observações de Andrea. Tive a impressão de que ela e o marido, Bruce, eram pessoas realistas e instruídas que estavam se esforçando para entender o que estava acontecendo com seu precioso filhinho. Eles estavam buscando desesperadamente uma maneira de minimizar os terríveis pesadelos que tanto estavam perturbando a vida da família. Fiquei particularmente fascinada pelo vasto conhecimento que James tinha de aviões, de fatos que nem mesmo seus pais conheciam.
Eu disse ao casal Leininger que James estava recordando sua morte em uma vida passada e reiterei as técnicas apresentadas em meus livros: reconhecer o que James estava passando como uma experiência e garantir ao menino que ele agora estava seguro e que a experiência assustadora havia terminado. Outros pais haviam constatado que essas técnicas funcionavam para acalmar o medo de seus filhos e para que eles se desfizessem das lembranças de uma morte traumática em uma vida passada. Andrea compreendeu. Intuitivamente, ela sabia o que estava acontecendo com James, ou seja, que ele estava sofrendo por causa de recordações genuínas da queda de seu avião. Tranqüilizei-a, garantindo-lhe que ela seria capaz de ajudar o filho.
Depois disso, não tive mais notícias de Andrea, e pressupus que isso significava que meu conselho fora útil e que James estava melhor. Mais tarde, cerca de um ano depois, um produtor da ABC entrou em contato comigo para verificar a possibilidade de gravarmos um segmento sobre vidas passadas de crianças. Examinei com atenção todos os meus e-mails e escolhi alguns casos promissores, entre eles os da família Leininger. Tive vontade de saber o que tinha acontecido com James.
Telefonei para Andrea em busca das novidades. Ela ficou feliz em me informar que havia seguido meu método e que os pesadelos de James praticamente tinham desaparecido. Excelente notícia!
Mas havia mais novidades. Embora os pesadelos tivessem diminuído, e o medo de James a respeito de seu acidente de avião houvesse desaparecido, ele continuava a aturdi-los com novos detalhes sobre sua vida como piloto de caça. Ele se lembrava do tipo de avião em que voava, o nome de seu porta-aviões e o nome de um de seus amigos que era piloto. Fiquei animada porque o caso ainda estava progredindo e tive uma grande expectativa de que o casal Leininger narrasse sua história na televisão. Andrea mostrou-se aberta à idéia, mas precisava consultar o marido. Quando conversamos, a primeira coisa que Bruce me disse foi o seguinte: "Você precisa entender que sou cristão." Senti que eu havia esbarrado em um obstáculo, de modo que achei que teria de procurar outro caso para a televisão. Mas em seguida ele me surpreendeu, quando acrescentou: "Mas não consigo explicar o que está acontecendo com o meu filho." Conversamos um pouco mais e senti uma abertura. Bruce estava claramente lutando para manter intacta sua crença cristã, ao mesmo tempo em que tentava entender o que estava acontecendo com James, de modo que precisava desesperadamente explicar a situação por meio de outro argumento, que não a reencarnação. Percebi o quanto isso era traumático para ele, de modo que o tranqüilizei afirmando que tudo isso era "normal".
O programa de televisão foi um grande sucesso; a história foi apresentada de maneira clara e imparcial. Todos ficamos satisfeitos. Nos anos seguintes, trocamos dezenas de e-mails. Andrea enviou-me fotos de James e de seus inúmeros desenhos de aviões sendo derrubados. Passamos horas ao telefone conversando animadamente sobre as últimas revelações de James e incríveis coincidências, uma após a outra. Todas elas os levavam cada vez mais fundo na toca do coelho.
Tanto para Andrea quanto para mim, cada nova revelação era uma confirmação do que já sabíamos, ou seja, que James estava relembrando uma vida passada de fato. Mas Bruce continuava a resistir. Cada revelação contribuía para seu conflito. Assim, este livro é tanto a respeito de Bruce quanto de James. Ele estava dividido entre sua profunda crença cristã de que "vivemos uma única vez, morremos e depois vamos para o céu" e o que ele estava presenciando no próprio filho. Por mais arduamente que tentasse, ele não conseguia explicar o que via.
O impulso de Bruce de provar a falsidade das lembranças de James da vida passada adiciona um grande significado a esta fascinante história. Vemos o quanto ele se esforça para encontrar uma explicação "racional". Observamos, enquanto ele vai no encalço de pistas com a tenaz perseverança de um detetive, que não se satisfaz com nada menos do que fatos concretos. E o conjunto de provas que ele e Andrea reúnem, por meio de sua laboriosa pesquisa, é a principal razão pela qual a história dessa família é tão extraordinária.
A volta também é especial de outras maneiras. Somos testemunhas de algo milagroso na maneira pela qual o jovem James tocou o coração de tantas pessoas. Sua família atual, a família de sua vida anterior e os veteranos sobreviventes que lutaram ao seu lado em sua vida pregressa foram profundamente afetados por James. O que surgiu com tanta naturalidade para esse menino abalou as convicções arraigadas daqueles que o cercam. Sua história revela uma nova perspectiva de vida e morte para qualquer pessoa que perceba que isso não foi apenas fruto da imaginação de uma criança, e sim algo dolorosamente real.