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No
ensinamento de Jesus - o maior mandamento é amar a Deus sobre todas as
coisas e o próximo como a si mesmo - identificamos a necessidade de
desenvolvermos a capacidade de amarmos a Deus, o próximo e nós mesmos.
A
sequência é primeiro desenvolvermos a capacidade de amar a nós e assim
acabamos por reconhecer que amar o próximo também é fundamental.
Aprendendo a amar a si e ao próximo honramos Deus porque amamos sua
criação, assim é possível afirmar que também O amamos.
Para
facilitar o desenvolvimento do amor por nós mesmos abordo um assunto do
livro “50 maneiras de criar bons relacionamentos” cujo autor é Steve
Chandler.
Crie a Sua Voz
Assim que confiar em si mesmo vai saber como viver.
Johan von Goethe
O
mais importante relacionamento a ser criado é aquele consigo mesmo. Sem
começar por aí, não se pode se relacionar de forma efetiva com os
outros.
Seu relacionamento com você mesmo pode ser como você quiser. Não está
preso a mágoas ou memórias do passado. Não se você não quiser que
esteja.
Comece se fazendo uma pergunta: Como eu falo comigo? Como amigo? Ou uso
o tom de voz de um pai decepcionado?
Às
vezes nem percebemos esse detalhe, mas nós conversamos conosco mesmo,
fazemos uma série de afirmações e considerações a respeito das coisas
com as quais nos envolvemos na vida. Então aqui a proposta é verificar
qual é a qualidade desse diálogo interior. Conversamos como se fossemos
um amigo ou há uma forma decepcionante e negativa a ser considerada
nesse diálogo interior.
A
maioria das pessoas continua ouvindo uma gasta voz de pai ou professor
em sua cabeça, e tenta ouvir tal voz como se fosse sua consciência. Mas
não
é a voz da sua consciência; é a voz de
suas mágoas e memórias do passado. Não está na cabeça porque nos guia
bem; ficou lá sem nenhum bom motivo. Ficou lá porque, quando foi ouvida
pela primeira vez, a mente ainda não estava formada. A mente da criança
era suave e delicada, e a voz entrava repetidamente pelos ouvidos.
Mas quando podemos ver através dessa voz, e aprender a viver além dela,
o melhor que podemos fazer é criar uma nova voz. Podemos criar um
conselheiro interno que esteja do nosso lado. Podemos criar uma voz que
fale conosco como um amigo faria. Esta se torna uma voz de apoio
concreto.
Se continuarmos tendo a velha voz das mágoas e humilhações do passado
como a voz da nossa consciência, tudo o que ouviremos, o dia todo, será:
-
Isso é besteira. Por que ainda não fez aquilo? Você é totalmente
desorganizado. Deveria saber que isso aconteceria. É o que se consegue
por estar gordo. Como pode se sentir bem comendo do jeito que come? Não
é surpresa eles não gostarem de você, você nunca passa um tempo com
eles. Oh, não, olha o que você esqueceu, que bom que sua cabeça é presa,
assim não esquece ela também. Você nunca sai na hora. É muito preguiçoso
para tudo. Em que bagunça você fez a gente entrar agora. Você não merece
esse tipo de felicidade. Por que todo mundo, menos você, vai tão bem
financeiramente? O que há de errado com você? Deveria se envergonhar.
Aqui
o autor se reporta a voz interior com a qual no silêncio fazemos
afirmações para nós mesmos. Porém também existem situações em que em
diálogos com as pessoas costumamos fazer afirmações de mesma natureza.
Afirmações depreciativas a nosso respeito. Isso nada mais é do que o
resultado disso que cultivamos no mundo interior. Então é bom prestarmos
atenção quando no silêncio estamos nessa conversa interior, mas também
naquilo que falamos quando conversamos com as pessoas.
O
irônico a respeito dessa voz interna é que a ouvimos o dia todo sem
nunca responder.
Se sua sogra falasse com você desse jeito você iria responder. Se ela
quisesse dizer algo negativo a seu respeito – como fazemos todos os dias
dentro de nossas cabeças, você se defenderia a noite toda, revidaria.
Estaria certo, e acreditaria nisso.
O
ato mais criativo que fazemos quando adultos é a criação de uma voz
interna otimista. Quem somos para nós mesmos determina quem somos para
os outros. É
impossível ser feliz com outras pessoas
se, lá no fundo, não estivermos felizes conosco. Tudo começa aí.
Muito das insatisfações que nos visitam tem a ver com aquilo que
acontece em nosso mundo interior, entretanto queremos atribuir isso à
responsáveis externos.
Esta voz funciona melhor:
-
Ontem você teve um ótimo dia. Fez muitas coisas em pouco tempo. Foi uma
boa ligação que fez com a sua filha. Realmente se importa com ela e ela
sabe disso. Você não está só dizendo coisas; realmente está ao lado
dela. Você tem alguns desafios para enfrentar hoje, mas eles não são
nada que você não possa resolver. Vamos resolver um por vez. Vamos nos
acalmar e ver se podemos fazer algo interessante e inteligente. Vamos
mais devagar, para nos divertir um pouco. Você sempre encontra um bom
jeito para resolver as coisas. Muita coisa ainda vai acontecer. Mesmo
quando está fisicamente cansado, você consegue enxergar as coisas. Você
finaliza tudo. Tem muito do que se orgulhar. Vamos partir para a ação e
dar umas risadas. Repita: Você pode ser sincero, mas não precisa ser
sério. Você tem um jeito ótimo de ver o humor em todas as coisas. Vamos
jogar e ver quanto conseguimos terminar até o começo da tarde. Talvez
até sair mais cedo e ver aquele filme que você quer ver. Eu estou aqui.
Sempre do seu lado. Sou seu melhor ser, a parte que você chama no meio
da crise. Mas também posso trabalhar fora das crises. Sempre estou aqui.
Sempre o apoiarei. Continue sorrindo, rindo, dançando, cantando. Esta é
a sua vida. Você é a estrela deste filme, e o roteiro é bom.
Uma voz como esta vai mudar a sua vida. E o melhor é que não precisa
acontecer nada externo para você criá-Ia. Você não precisa esperar pelo
momento certo ou o professor certo aparecer. Pode fazer isso aqui,
agora. Pode começar neste minuto. Coloque este livro de lado e fale com
você mesmo sobre essas coisas que são boas em você. Tenha esta como a
sua voz a partir de agora e, quando ouvir a outra voz, porque você vai
ouvi-Ia, simplesmente responda. Derrube-a. Fique contra ela. Fique de
seu lado a partir de hoje.
Isso
é o que ensina Steve Chandler, autor do livro “50 maneiras de criar bons
relacionamentos”. Ele ressalta que o principal relacionamento é aquele a
desenvolvermos conosco mesmos. Vai à direção do ressaltado no início do
texto que esclarece que o exercício do amor começa com a capacidade de
amarmos a nós mesmos. Para alcançarmos esse propósito é preciso
reconhecer as qualidades e condições que justifiquem isso. Devemos
lembrar que somos filhos de Deus criados à Sua imagem e à Sua
semelhança.
Quando consideramos nossa filiação reconhecemos trazer em nós uma
condição de excepcional qualidade, somos criaturas divinas porque a
nossa essência tem como origem Deus que nos concedeu a nossa condição
interior, aquilo que verdadeiramente somos como espíritos.
Percebemos que a qualidade da criação de Deus é excepcional. Ora se
reconhecermos isso em nós evidentemente não há porque nos
autodepreciamos. Ao contrário há motivos suficientes para reconhecer em
nós qualidades e condições suficientes para que também o amor nos seja
devido.
A
partir do momento em que abandonamos essa visão equivocada que nos leva
a ter essa voz interior negativa e passamos a construir um
relacionamento positivo e harmonioso acabamos por reconhecer naqueles
que estão a nossa volta, nossos irmãos, idêntica condição, também filhos
de Deus criados à Sua imagem e semelhança.
Quando tivermos conseguido reunir a capacidade de amar ao próximo e amar
a nós mesmos será a consagração do ensinamento trazido por Jesus quando
diz que o maior mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a si mesmos.
Ao
reconhecer a excelência da criação em nós e no próximo estamos louvando
Deus, reconhecendo a Sua grandiosidade e a sua perfeição. Dentro dessa
visão passamos a amar Deus. Tendo uma percepção correta a respeito de
Deus abandonamos velha posição em que éramos solicitados a Temê-lo,
tanto é que com muita frequência ainda ouvimos hoje as pessoas
perguntando: você é temente a Deus? Ou dizem: eu sou temente a Deus.
A
última coisa que devemos ter em relação a Deus é medo. Há razão
suficiente para isso por encontrarmos novamente nos ensinamentos de
Jesus indicações claras quando diz que Deus é Pai. Pai que
verdadeiramente tem esse qualificativo sempre oferecerá o melhor para
seus filhos; irá abrigá-los e protegê-los para que tenham condição para
prosperarem. Aquele Deus raivoso que há muito tempo era apresentado com
o intuito de intimidar, pois havia a crença que pelo medo haveria
adequada direção em nossa vida, ficou no passado, agora a visão é
diferente, prevalece o amor como recurso fundamental para que possamos
alcançar a felicidade.
É
bom considerar que oposto do amor normalmente é tido pelas pessoas como
sendo o ódio, mas na realidade é o medo. Não há como amar alguém que
inspire medo ou alguma coisa que nos inspire essa condição. É necessário
vencer esta restrição para que possa haver lugar para amarmos, para
desenvolvermos essa condição excepcional que todos trazemos porque
portadores da essência divina que nos foi consagrada por Deus em nossa
criação.
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